Mudança inesperada no sistema eleitoral impediu, por enquanto, o registro da candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência; TSE afirma que ferramenta foi usada indevidamente com credenciais do partido
Brasília — Uma movimentação inesperada no sistema de filiação partidária do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) provocou uma reviravolta na corrida presidencial nesta quinta-feira (13). O senador Flávio Bolsonaro (PL) apareceu registrado como filiado ao partido Missão, legenda que já possui Renan Santos como candidato à Presidência da República.
O episódio chamou atenção porque a alteração ocorreu às vésperas do prazo para o registro das candidaturas e acabou impedindo, naquele momento, que a campanha de Flávio concluísse o pedido de registro pelo Partido Liberal.
A situação, porém, ganhou novos contornos após o TSE descartar a hipótese de um ataque hacker contra o sistema da Justiça Eleitoral.
TSE diz que não houve invasão
Em nota, o Tribunal Superior Eleitoral informou que a filiação não foi resultado de um hackeamento. Segundo o tribunal, houve uso indevido da ferramenta de filiação por alguém que possuía credenciais da legenda para realizar o procedimento.
Diante da gravidade do caso, o presidente do TSE, ministro Nunes Marques, encaminhou uma representação à Procuradoria-Geral Eleitoral e determinou a abertura de investigação pela Polícia Judiciária para apurar quem realizou a operação e em quais circunstâncias.
O Partido Liberal também pediu ao TSE a retirada de Flávio do quadro de filiados do Missão e o restabelecimento de sua filiação ao PL. O pedido está sendo analisado pela Justiça Eleitoral.
Missão afirma que também foi vítima
O caso ficou ainda mais complexo depois que o próprio partido Missão afirmou ter sido vítima de uma tentativa de filiação fraudulenta.
Em nota, a legenda declarou que seu sistema identificou a movimentação e que tentou cancelar a filiação no mesmo dia, mas o procedimento teria sido rejeitado pelo TSE.
O Missão também afirmou que o gabinete de Flávio Bolsonaro teria sido informado sobre a tentativa desde o dia 2 de agosto. Segundo o partido, os e-mails enviados foram abertos, mas não teriam recebido resposta.
A legenda informou ainda que pretende entregar às autoridades e à imprensa informações técnicas, incluindo logs, e-mails e endereços IP, para ajudar na identificação dos responsáveis.
Como Flávio reagiu?
A equipe do senador classificou o episódio como uma fraude e acionou a Justiça Eleitoral para tentar recuperar a filiação ao PL.
A campanha também pretende solicitar investigação para descobrir como a alteração foi realizada justamente em um momento decisivo do calendário eleitoral.
Segundo informações divulgadas pela CNN Brasil, a filiação ao Missão teria sido registrada às 23h17 de quarta-feira (12). Com a alteração, informações que já haviam sido inseridas para o registro da candidatura foram perdidas, segundo a campanha.
Prazo eleitoral aumenta a pressão
A mudança acontece em um momento particularmente delicado. A campanha de Flávio precisa regularizar sua situação partidária para conseguir apresentar o pedido de registro de candidatura pelo PL.
O episódio, portanto, deixou de ser apenas uma disputa envolvendo dois partidos e passou a ser também alvo de investigação da Justiça Eleitoral.
Enquanto o TSE afirma que não houve invasão do sistema, o Missão sustenta que ocorreu uma filiação fraudulenta e diz que está colaborando com as autoridades para descobrir os responsáveis.
Renan Santos reage
O episódio também provocou reação dentro do próprio Missão. Renan Santos, candidato da legenda à Presidência, comentou o caso com ironia, enquanto o deputado federal Kim Kataguiri também reagiu à situação. Renan afirmou que prefere enfrentar Flávio Bolsonaro nas urnas, e não por meio de uma eventual fraude.
Até o momento, a investigação deverá esclarecer quem realizou a alteração, como as credenciais foram utilizadas e qual foi a origem da movimentação registrada no sistema eleitoral.
O Informante acompanha o caso e atualizará esta reportagem à medida que novas informações forem divulgadas pelas autoridades e pelos partidos envolvidos.



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