Secretário de Defesa Pete Hegseth afirma que Washington adotará modelo de ataques letais em solo contra cartéis e grupos terroristas, incluindo facções brasileiras
13 de agosto de 2026
1. Mudança de Paradigma na Guerra às Drogas
O governo dos Estados Unidos confirmou nesta quarta-feira (12) uma mudança drástica em sua estratégia de segurança para o hemisfério sul. Durante uma coletiva de imprensa realizada em um ponto estratégico da selva panamenha, o secretário de Defesa, Pete Hegseth, anunciou que as forças militares americanas iniciarão operações “em terra” contra organizações do narcotráfico na América Latina. A medida expande a campanha de ataques letais que, desde o ano passado, vinha sendo executada exclusivamente contra embarcações em águas internacionais, sinalizando uma intervenção direta em territórios nacionais sob a justificativa de combate ao terrorismo transnacional.
A declaração ocorreu em meio aos exercícios militares anuais que reúnem cerca de 20 nações na região. Segundo Hegseth, a administração de Donald Trump não pretende mais se limitar à interceptação marítima. O objetivo agora é replicar a letalidade dos bombardeios aéreos em solo firme, visando desmantelar a infraestrutura logística e o comando das chamadas Organizações Designadas como Terroristas (DTOs). O secretário enfatizou que a ofensiva não respeitará fronteiras geográficas caso os grupos representem uma ameaça direta aos interesses americanos ou de seus aliados.
2. Alvos e Alianças Estratégicas
A nova doutrina militar equipara os cartéis de drogas a grupos extremistas como o Estado Islâmico (ISIS) e a Al-Qaeda. “Será o mesmo efeito em terra. Por isso, estamos trabalhando com Equador, Colômbia e outros parceiros para levar a luta às DTOs em terra”, afirmou Hegseth. O secretário foi enfático ao declarar que a prioridade é a neutralização física dos alvos em detrimento de processos legais tradicionais: “Onde quer que trafiquem drogas ou ameacem o povo americano ou nossos parceiros, essas organizações são um alvo. Não vamos submetê-los a um processo judicial, onde sabemos que serão liberados. Vamos destruir estas redes com todas as capacidades do governo americano”.
A estratégia foca intensamente no combate ao tráfico de cocaína e fentanil, com operações previstas para o México e monitoramento de remanescentes de guerrilhas colombianas, agora classificados como alvos legítimos. A base política para essa incursão é a Coalizão Anticartéis das Américas, que conta com 19 países de governos alinhados à direita, incluindo Argentina, Chile e a recém-integrada Colômbia. No entanto, a ausência de potências regionais como o México e o Brasil na aliança levanta questões sobre a soberania nacional e a legalidade de operações em territórios que não autorizaram formalmente a presença militar estrangeira.
3. Impacto no Brasil e Controvérsias Jurídicas
Embora o Brasil não integre a coalizão liderada por Washington, o país está no radar das novas diretrizes de segurança. Em junho deste ano, o Departamento de Estado americano classificou formalmente as facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Na prática, essa designação permite que os EUA utilizem recursos de inteligência e força militar contra essas estruturas, independentemente da cooperação direta com o governo brasileiro, caso as atividades dessas facções sejam interpretadas como ameaça à segurança nacional dos Estados Unidos.
A escalada da violência estatal preocupa observadores internacionais. Desde setembro de 2025, a campanha de bombardeios contra lanchas rápidas no Caribe e no Pacífico resultou em pelo menos 215 mortes. Juristas e entidades de direitos humanos argumentam que a ausência de devido processo legal e a execução sumária de suspeitos em alto-mar podem configurar execuções extrajudiciais. Com a transição das operações para o ambiente terrestre, o temor é de que o número de baixas civis e o desrespeito a tratados internacionais de direitos humanos aumentem exponencialmente em áreas densamente povoadas ou zonas de conflito interno.



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